As ideias das pessoas são normalmente guiadas por formadores de opinião e/ou manipulação da informação. Algumas pessoas que se acham melhores que outras, encontraram uma forma de “fugir” disso. A técnica é simples: faça o contrário do que a maioria faz. Esse comportamento, na verdade, acaba gerando um problema muito maior.
Outro dia eu estava lendo uma crônica de um jornalista sobre o filme de “Watchmen”, e ele disse o seguinte: “(…) eu queria muito assistir Wacthmen, mas todos estavam falando desse filme, então não queria vê-lo, pois não gosto de assistir a algo que todos estão comentando, costumo esperar até que as pessoas parem de falar para assistir depois, nas últimas sessões, ou em dvd (…).
Vamos analisar isso com cuidado. Ele está deixando de fazer algo que está com muita vontade, porque tem uma certa quantidade de pessoas que estão fazendo o mesmo. Logo, ele julga que será menos inteligente se fizer aquilo naquele momento. Mas o interessante aqui, é que ele não vai deixar de fazê-lo, apenas irá adiar para quando não houver uma certa quantidade de pessoas o fazendo, pois dessa forma, ele será “underground” por não estar fazendo aquilo com outras pessoas. Outro exemplo são as pessoas que automaticamente tomam a opinião contrária a maioria, simplesmente para estar do lado da minoria e não fazer parte da “massa”.
Estes foram apenas dois de vários exemplos que eu poderia citar aqui. Mas vamos nos limitar a estes.
O que estou querendo dizer com tudo isso, é que nenhuma dessas duas atitudes valoriza a opinião de alguém sob nenhum aspecto. As pessoas se tornam contra a massa, por medo de ter sua opinião ameaçada pela maioria, mas o que ela não percebe, é que estando contra ou a favor da massa de forma automática, ela, a massa, será a formadora de sua opinião de uma forma ou de outra, pois se você acompanha a massa simplesmente, então não terá uma opinião pessoal. Também se for automaticamente contra, será a massa causadora e formadora dessa opinião.
O que ocorre é que a ideia da “massa” ofende algumas pessoas, mas isso não impede que ela o manipule. Isso é um reflexo do pedantismo. Tomar uma opinião sem o conhecimento do objeto ou ideia em questão, não agrega valor a ninguém, muito menos lhe dá algum conceito real de algo.
Vou tomar aqui um exemplo que muitos podem achar ridículo, muitos pseudo-intelectuais vão saber responder essa na hora, sem pensar: “Harry Potter é um bom livro?”. Você pode já ter a sua opinião para isso, mas a minha é que: “eu não sei”. Como eu poderia? Nunca lí Harry Potter, não tenho a liberdade intectual para dizer se é bom ou ruim. Pode ser uma bosta, pode ser legal, eu seria incapaz de dizer. Mas aí você diz: “Como você pode duvidar, isso é algo feito pra ganhar dinheiro, um produto comercial!”. Aqui vai uma bela notícia para você, meu amigo: “Tudo é feito para ganhar dinheiro, por melhor que seja.”
Nem por isso, eu vou agora comprar o livro para saber se é algo bom ou ruim. Simplesmente porquê, eu não tenho interesse nele, é algo que não me conquistou como leitor. Mas daí julgar baseado na opinião da “massa” é uma falta de personalidade e opinião própria. Aí sim, você estará ganhando seu atestado de pseudo-intelectual.
Outra questão que acho relevante é: “O que ê bom ou ruim?”. De cara digo que não é aquilo que você gosta. Isso é o que VOCÊ gosta. A resposta real para a pergunta é, na verdade, baseada em fatores muito mais complexos, apesar de eu ter uma ideia simples sobre isto. Em minha opinião, algo é bom quando cumpre o que se propõe a fazer, e no caso da arte, que também tenha relevância artística, independente de eu gostar ou não. Apesar de para muitos a verdade ser baseada puramente no conceito do gosto pessoal, em minha opinião, é algo muito mais complexo, e que talvez nem sequer exista. Creio que esta é a melhor maneira, para mim, de aceitar o bom ou o mal, como parte do mundo humano.
Digerir as informações é, sem dúvida, muito melhor que pré-concebê-las, pois agrega valor ao conhecimento pessoal sobre as coisas, além de exercitar o músculo do cérebro. Basear-se em nada para defender uma ideia que você nem sabe se é real, só faz as pessoas encolherem, de todas as formas. Pensar é sempre bom.
Aqui eu não estou defendendo nada, ninguém, nem muito menos livro algum. Espero que todos entendam que estou apenas fazendo algo que julgo que todos deveriam fazer: Ter uma opinião real sobre as coisas.







Parabéns, um dos melhores textos do Digestão até agora.
Eu já levava em conta há muito tempo essa distinção entre o que é bom e o que se gosta (até porque quem me conhece pode atestar bem o meu mau gosto musical e televisivo…).
Por outro lado, tenho que admitir que já caí bastante nessa armadilha de formar opinião me baseando em critérios alheios àquele deveria ser o essencial, a observação própria.
O exemplo de Harry Potter não poderia ser melhor. Mencionar que não me interessei por esta obra a partir do pouco que eu soube dela será bem mais honesto que taxá-la de ruim sem nem ao menos ter lido a orelha da capa!
eu já pensava nisso a muito tempo, existe realmente uma definição universal do que é bom ou ruim? algo que o ser humano goste independente do contexto cultural, social e das experiências de vida do individuo?
Se isso existir, assim como alguns alegam existir a proporção auera pra beleza, acho que isso de fato é bom, mas como julgar o que é bom ou não, quando a maioria das pessoas é influenciada facilmente?
o fato de um grande número de pessoas gostar de algo, não torna este uma coisa boa, olhem as músicas que estão fazendo ucesso hoje em dia, Rebolation? isso tem qualidade ou o povão que não tem opinião própia?quando dizem que tem 1 milhão de pessoas que gostam de uma coisa, nunca dizem que tem 9 milhões que não gostam, fazem parecer que é unanime que aquela coisa é boa, quando não é, e pessoas fracas de opinião não percebem isso.
existem sim formadores de opinião, e eu lutei por uns ~10 anos pra não deixar minha opinião ser manipulada por outros, pra descobrir que era exatamente isso que uns queriam que eu fizesse, mesmo a opinião que eu tinha formado era manipulada.
as vezes é melhor se deixar influenciar mesmo, o custo pra tentar fugir disso é muito grande, e ainda estou muito confuso depois dessa experiência ruim pra saber quem eu sou.
agora o que posso fazer é tentar descobrir quem realmente sou, e o que realmente penso. só assim eu conseguirei descobrir se: “bebo pepsi em vez de coca pois prefiro realmente pepsi, ou sou ifluenciado pela propaganda” <- só um exemplo.
e o que esses formadores de opinião precisam aprender é que não é fazendo todo mundo pensar igual que as pessoas vão se entender (até porque isso nunca vai acontecer), mas sim, fazer com que elas respeitem e procurem entender os diferentes/as diferenças, gosto muito de uma frase que li uma vez, era algo assim:
"cada um tem sua própria maneira de enchergar a vida, e a graça de conhecer outras pessoas é justamente essa, conhecer várias formas diferentes de enchergar o mundo."
mas claro, enquanto estiverem ganhando milhões pra formar a opinião do povão essa ideologia de fazer as pessoas se entenderem nunca vai colar e sempre existiram pessoas que se excluem socialmente ou são excluidos de determinados grupinhos.
a propósito, pelo que você falou:
"Em minha opinião, algo é bom quando cumpre o que se propõe a fazer"
Se a arte é uma mensagem, você diria que, arte é boa quando consegue
transmitir a mensagem que o autor queria transmitir?