CinemaRSS: News Maker

O paralelo dos Jogos com o Cinema

Escrito em fevereiro 14, 2010 - Cinema, Games

Os jogos e o cinema não eram coisas iguais 20 anos atrás, e nem o são nos dias de hoje, mas estão ficando cada vez mais próximos.

Games e cinema não eram duas coisas iguais 20 anos atrás, e nem o são nos dias de hoje, mas estão ficando cada vez mais próximos.

Cinema é um tipo de entretenimento onde só podemos ser observadores, já nos games temos uma relação com mais interatividade. O Cinema, apesar de já ter evoluído muito desde 1895 – data em que nasceu -, sempre foi algo belo, muitas vezes poético, outras vezes assustador, mas sempre divertido. Tanto que ainda é possível pegar um filme da década de 10, 20, 30… seja lá qual for, e se apaixonar por essa arte maravilhosa. Este é o “forte” do cinema em minha opinião: ele sempre foi genial.

No caso dos games a história é mais complicada, e o amadurecimento dessa arte dependeu de mais eventos. O curioso é que o que fez os games amadurecerem foi exatamente as mesmas tecnologias que fizeram o cinema crescer no que diz respeito a produção e desenvolvimento. É aqui que começamos a traçar nosso paralelo.

Ambos os meios iniciaram de forma tímida e simples, com recursos escassos e pouca tecnologia. Quanto a recursos técnicos de produção, em sua história os dois tiveram um crescimento gigantesco. A diferença neste caso é que os jogos começaram mais de baixo na escala da tecnologia, por não poder se utilizar do “mundo real” como ferramenta de sua construção visual. O mercado de games penou até chegar em um nível de possibilidades estéticas interessantes. E com recursos de Design tão simples, era mesmo difícil levar qualquer narrativa a sério. Enquanto isso, o cinema sempre teve a oportunidade de tratar de assuntos importantes no que dizem respeito a nossa cultura, conhecimento e comportamento.

Quatro, oito e dezesseis Bits eram o suficiente para entreter qualquer um nas primeiras décadas que se seguiram ao nascimentos dos jogos, mas isso não é nem de perto o suficiente para contar uma história de qualidade, e todos os meios artísticos sabem disso. Seja na literatura com suas longas páginas contendo descrições de situações e/ou cenários que tentam montar um quadro da cena para o leitor; no cinema com suas imagens impactantes e seus símbolos sutis e fundamentais; na música, o Deus da arte que é capaz de fazer você sentir, ver, pensar e até mesmo “tocar” qualquer coisa. A boa música é meio que um quadro de picasso pintado com vibrações, é tão complexa e brilhante que é quase impossível descrevê-la.

O que quero colocar aqui é que todos os tipos de arte precisam se utilizar da imagem em algum nível, uns mais que os outros, seja ela física ou criada na imaginação das pessoas. Imagem é fundamental, e isto era tudo o que faltava aos jogos quando eles nasceram.

Com o surgimento da tecnologia 3D o cinema pôde fazer o impossível com muito pouco. Esta mesma tecnologia abriu as portas da imaginação para os desenvolveres de jogos, e neste ponto, os artistas começaram a ver nessa arte uma tela onde eles poderiam pintar seu talento de uma forma complexa. Pela primeira vez podiam fazer qualquer coisa, e isto instigou a imaginação dos criadoras que começaram a levar esse meio mais a sério. Pela primeira vez o mundo dos games estava no mesmo nível de possibilidades que o do cinema, o problema é que os desenvolvedores estavam preparados apenas para fazer com que as pessoas se divertissem, e não para contar boas histórias.

A questão aqui é que neste ponto o 3D foi agregado ao cinema, permitindo toda uma nova infinidade de possibilidades. Mas esta mesma tecnologia não foi simplesmente integrada ao mercado de jogos. Ao meu ver, neste ramo foi mais como um começar de novo. Quando o 3D surgiu, o cinema tinha quase um século de maturidade e estudo, havia uma base de produção que poderia ser apenas estendida para se utilizar das novas possibilidades da tecnologia. Já no caso dos jogos, os desenvolveres não tinham nada, os artistas de games não sabiam o que fazer direito com um mundo em 3D, enquanto o cinema viveu nele a vida inteira, na realidade 3D de suas vidas. Os games haviam passado toda sua existência em um mundo de apenas duas dimensões. Daí então começaram os jogos simples, em 3D. Foi se testando, experimentando, a coisa foi evoluindo, amadurecendo. Foi um novo começo para o mercado de jogos e era preciso aprender tudo de novo. E foi isso que aconteceu.

Com o tempo, os roteiros dos jogos foram ficando cada vez mais maduros e ousados. A imaginação dos desenvolveres foi se expandindo, novas gerações foram chegando e esta arte teve, finalmente, suas barreiras quebradas e a sua criatividade libertada. Hoje, tanto o mercado de cinema quanto o de jogos são indústrias bilionárias. Ambas tem suas produções de qualidade duvidosa e suas obras de arte, e o melhor ainda, ambas não tem mais quaisquer limitações.

Aqui os mercados começam a se confundir. Os dois meios chegaram em um nível de qualidade tão grande que se colidiram e começaram a se misturar. Temos hoje filmes baseados em jogos, jogos baseados em filmes. Diretores de cinema trabalhando em jogos e os de jogos sendo contratados para produzir filmes. Agora, cada meio busca utilizar os elementos do outro e, na maioria das vezes, se aproveitar do sucesso que uma história teve em uma dessas duas mídias.

A questão agora é até que ponto isso vai chegar. Estes dois meios continuarão nessa dança eternamente ou acabarão se fundindo completamente e se transformando em um novo modo de entretenimento? Eu não faço a menor idéia, mas sei que as possibilidades de produção dos dois são grandes e só fazem aumentar. Com certeza isso irá gerar novos universos que ainda nem conhecemos e nos levar a mundos que jamais imaginamos que um dia iríamos conhecer.

Comentários

Para comentar, você pode fazer login com o seu Twitter

Tags: , , ,

Sobre Fernando Aureliano

Tenho obsessões, compulsões e sou viciado em assimilar informações das mais diversas, e muitas vezes desnecessárias. Cinema é minha paixão e literatura minha redenção. Acredito que a vida é supervalorizada por nossa raça e abundante no universo. A TV mente, o governo te manipula, e o ser humano me diverte.