George Orwell previu em dois de seus livros (“1984″ e “Revolução dos Bichos”), que um dia o poder que “organiza” as massas se manteria suprimindo todo o tipo de informação que julgasse necessário, limitando o conhecimento. Mas o que até então seria uma história de ficção acaba de se tornar realidade.
O Kindle é um leitor de E-Books da Amazon que elimina a necessidade de papel – uma vez que é digital – e lhe permite acessar a internet via wireless ou rede 3G. Nele você pode ler os mais diversos tipos de arquivos de texto e imagem como txt, pdf, html, doc, jpg, gif, bmp e png, além de poder ouvir audio-books em mp3. Funciona basicamente como um IPod, sendo que este é para músicas e o Kindle é para livros. Os livros podem ser comprados no site da Amazon por preços a partir de $ 0,50 e você consegue colocar mais livros nele do que jamais irá ler em toda a sua vida.
O que ocorre é que no dia 17 de julho de 2009, a Amazon acessou os leitores de e-books (Kindle) que NÃO SÃO DELES, e sim de quem os comprou, e DELETOU as cópias que existiam dos livros “1984″ e “Revolução dos bichos”, ambos de George Orwell, alegando que foi obrigada a fazê-lo pois não retinha os direitos da publicação.
Ok, vamos lá! Primeiro: É MEU! comprei, autorizado ou não, agora tá nas minhas mãos, é como se eles entrassem em minha casa e resolvessem pegar um dos livros de minha estante e levar embora. Isso é uma manobra completamente invasiva e desrespeitosa. Segundo: Nos termos de serviço da própria Amazon, eles dizem que NÃO podem fazer isso. Os leitores foram pegos de surpresa, eles não sabiam que haviam comprado algo ilegal e muito menos imaginavam que a Amazon poderia invadir seus arquivos dessa forma.
O Kindle permite que você faça notas no arquivo que você está lendo, como quando você lê um livro de papel e usa um lápis para fazer anotações nos cantos das páginas. Quando eles removeram essas cópias, removeram juntamente as notas de leitores que estavam fazendo trabalhos, estudos, observações pessoais, fosse o que fosse, mas eles usurparam pensamento intelectual alheio, e fizeram pior, estes eles não devolvem. Um livro tem várias cópias que podem ser encontradas em diversas livrarias, mas o pensamento pessoal gerado da digestão cultural também é uma obra intelectual que merece o devido respeito, e eles simplesmente confiscaram tudo.
Tenho a absoluta certeza que este tipo de atitude foi absurdamente exacerbada. Primeiro porque os direitos autorais deste livro começam a se tornar duvidosos, uma vez que ele já tem seus direitos livres em vários países, dentre eles o Canadá, Autrália e Rússia. Depois, se o probelma é esse maldito direito autoral – que devia ser algo para proteger o trabalho intelectual e que hoje é usado para limitar as possibilidades intelectuais dessa mesma obra – poderiam ser perfeitamente negociados, tipo: “Galera, deu merda aqui, vamos ter que pedir mais $ 0,15 de vocês porque a galera dos direitos autorais ta enchendo o saco”. Não, isto não poderia acontecer, eles preferiram fazer: “Vamos INVADIR a galera, roubar o livro de volta, e pra eles aprenderem a lição, vamos roubar as notas deles também, só de sacanagem”.
O que ocorre é que esse tipo de instituição precisa perecer. Enquanto a internet ganha força, algumas empresas como estas que tentam manter a informação como um cálice sagrado, tremem nas bases e tentam golpear aqueles que querem apenas evoluir cultural e intelectualmente. A medida que a internet vai se tornando autocatalítica, essas “estrelas” da informação vão começar a explodir cada vez mais e veremos a informação que está presa dentro dessas “bolas de fogo” se expandir e se desprender para chegar a todos nós como raios de luz que nos atingem, nos iluminam e que nunca conseguiremos “pega-las” novamente para subjugar essa luz/conhecimento novamente ao bel-prazer de algumas cadeias de estrelas distantes.







Não é que adorei o brinquedinho? Se não fosse por essa putaria da Amazon, já estava correndo comprar um pra mim.
Essa é uma ótima opção para quem não tem espaço em casa pra tanto livro. Seria perfeito pra mim! Enquanto não tenho uma paradinha dessa, fico com meu notebook mesmo.
Enfim, voltando ao texto… Nossa, realmente, as empresas exageram tomando medidas drásticas demais. E, o tal de direito autoral sempre fazendo parte desses probleminhas, como motivo maior. Acho que está na hora de revisarem essa lei para os dias atuais, hein?